Planejamento de aulas

Ciente de que as anotações realizadas durante as observações causam incômodos às Professoras Formadoras, compartilhei com a Professora Maria que as faço por ter a necessidade de lembrar detalhes das rotinas e das atividades que nem sempre a memória da conta de armazenar.
Diante disto ela, no dia 18/05 a Professora Maria compartilhou suas anotações sobre os planejamentos semanais de:


 14/05 a 18/05

" Por ter normas versáteis, a brincadeira com giz (no) chão são uma ótima opção para divertimento em grupo. A brincadeira com giz favorece o controle da agressividade, além de estimular a curiosidade, contribui para o desenvolvimento social e afetivo."

" Iremos promover uma oficina de petecas. Esta atividade desenvolve a atenção, equilíbrio e concentração.


21/ a 25/05/2018
" Iremos fazer uma roda de conversa sobre o jogo boliche, questionaremos se alguém conhece o jogo, ou já jogou boliche, se sabem como se joga, o lugar onde se joga, quais materiais são necessários para se jogar ( pinos, bolas, marcação da pista e como são as regras)."
"Essa atividade com boliche ajuda a criança a contar e representar numericamente através dos pinos, também relacionar numeral às quantidades correspondentes, esperar sua vez, melhorar a coordenação motora. Também trabalharemos os numerais até 10 de forma lúdica através do jogo de boliche."
" Explicaremos que cada jogador tem direito a duas jogadas. O jogador deverá arremessar a bola em direção aos pinos que estarão organizador no final da pista em fórmula de triângulo. Ganhará o jogador que no final de duas jogadas derrubar mais pinos." "Em uma roda de conversa explicaremos para as crianças sobre a brincadeira "teia de aranha", neste dia será realizado brincadeiras simultâneas com interação entre classes, promovendo a integração e estimulará o entrosamento de todos, compartilhando os mesmos espaços das brincadeiras."

Observamos que algumas atividades são comuns a todas as salas. Soubemos pela Professora Lúcia e pelas crianças, por exemplo, que alguém havia desenhado uma amarelinha com giz no parque externo, mas  que esta já havia sido apagada.
Perguntei para as crianças se elas haviam brincado com o giz e elas disseram que não. Estou buscando observar o modo como se organizam o trabalho das professoras entre as salas, visto que entendi que uma das turmas da escola já realizou a brincadeira com o boliche prevista para o Maternal C. 

Comentários

  1. Oi Nanci,

    Que bom que conseguiu que a professora compartilhasse com você o planejamento. Isso é uma prova de confiança.

    Pelo que você relata sobre as atividades, elas serem comuns aos diversos grupos, podemos pensar que nossa ideia de fazer um PAP que tem objetivos gerais semelhantes e que tem como base a troca - o compartilhamento - das experiencias entre as crianças e de estratégias didático-pedagógicas entre as professoras, está bem sintonizada com o que elas fazem na escola. Mais uma motivo para aceitarem a proposta.

    No que você nos apresenta como planejamento, percebi que para cada dia há algo como atividades centrais e que, relacionada às atividades, há uma descrição de materiais e potenciais resultados do uso dos materiais para o desenvolvimento das crianças.
    Mas não há nenhuma especificação sobre o que ocorrerá durante o resto do dia na continuidade do trabalho com as crianças.

    Aqui voltamos ao que eu comentava sobre as postagens de Ana: saber-se professor/a, profissional compromissado/a, implicado/a com a ampliação das possibilidades de ação das crianças (motora, afetiva, cognitiva etc) nos exige pensar no porque de tudo que propiciamos, em como e por que ampliamos e restringimos as ações das crianças (Lembram do texto de Ana L. Smolka sobre Relações de ensino, que lemos na UC Psicologia e Educação II?)

    E o que dizer sobre sua observação dos diferentes modos de tratar as crianças: o nome no diminutivo, o carinho na voz, os elogio para uns, versus a rispidez, a impaciência ou ironia para outras?

    O que você observa nos permite pensar que até na relação com as crianças pequenas, busca-se na escola um ideal de criança, de criança pequena, de bebê e, como é de se esperar, a associação com a família está posta: "É educado como a mãe".

    Podemos indagar: e se não tiver mãe? E se a mãe ou familiar ou adulto responsável não for educado conforme os modelos esperados?

    O preconceito em relação a uma criança, a rejeição da criança, tanto quanto sua aceitação frequentemente estão relacionados aos modos de conceber-significar suas famílias, principalmente em função de sua classe social.

    A escola, como sabemos, é uma instituição seletiva. Não é fácil reconhecermos essa característica escolar na escola de Educação Infantil, é difícil entender porque a escola discrimina crianças pequenas e bebês. Talvez porque na escola( enão só a de crianças pequenas) a vivência do preconceito, justamente porque provém de uma assimilação de cunho ideológico. se explicita no exercício de atribuição de diferenças às crianças: quem é mais/melhor limpo, mais/melhor arrumado, mais/melhor educado, mais capaz etc

    Mas concordamos com Aquino (1998, p. 138)* que, por outro lado, a escola também é o lugar não só de acolhimento das diferenças humanas e sociais encarnadas na diversidade de sua clientela, mas fundamentalmente o lugar a partir do qual se engendram novas diferenças, se instauram novas demandas, se criam novas apreensões acerca do mundo já conhecido.

    Sugiro que leiam o artigo: O “cotidiano” e a “crítica”: uma análise do preconceito sob dois posicionamentos teóricos. Sheila Ferreira Miranda.
    https://revistas.pucsp.br/index.php/psicorevista/article/view/13582/10089

    O artigo nos permite compreender como o conceito de ideologia "demarca a reprodução de valores impostos e socialmente compartilhados, que contribuem para a sustentação, conservação e justificação do preconceito".

    *Aquino, J. G. (1998). Ética na escola: a diferença que faz diferença. Em J. G. Aquino (Coord.) Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas (pp. 135-151). São Paulo: Summus - Esse livro está disponível na biblioteca do Campus Guarulhos.





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